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Filosofia e saúde: métodos genealógico e filosófico-conceitual

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Resumo

A filosofia vem participando das reflexões no âmbito da Saúde Coletiva no Brasil, desde o seu início – seja através de estudos de filósofos específicos que tematizaram questões da saúde, como Canguilhem e Foucault (Machado, 1981), seja na utilização de reflexão de cunho filosófico como apoio para se pensar as questões da área (Luz, 1988; Castiel, 1994; 1999; Ayres, 1995; 1997; Camargo Jr., 2003; Almeida-Filho, 1989; 2000), seja como base filosófica de correntes teóricas gerais da área, tais como o positivismo, o materialismo histórico, a dialética, o estruturalismo, a fenomenologia. Contudo, é fato que a Filosofia não conquistou na Saúde Coletiva o reconhecimento que as Ciências Sociais, e mesmo as Ciências Políticas, conquistaram e consolidaram ao longo dos anos. Se é verdade que a filosofia já tem dado uma contribuição importante para as reflexões do campo da Saúde Coletiva, acreditamos que este pode se enriquecer ainda mais com ela, de modo fundamental nestes tempos de complexidade, transdisciplinaridade e novos paradigmas.

No intuito de propiciar a um número maior de profissionais e pesquisadores da área uma compreensão mais clara e ampla do papel possível da filosofia na Saúde Coletiva, pretendo neste trabalho propor duas metodologias filosóficas complementares, a do uso dos conceitos e a da genealogia filosófica, buscando operacionalizar seu uso para a área da Saúde e em particular da Saúde Coletiva.

Desde que a área da Saúde Coletiva fora fundada no Brasil, conjugando a Saúde Pública, a Medicina Social e as Ciências Sociais em Saúde, a Filosofia tem tido papel fundante no que diz respeito a suas teorias. Assim, o positivismo, a dialética, o materialismo histórico, o estruturalismo e a fenomenologia são, todos estes, correntes sistemáticas do pensamento filosófico, e constituíram doutrinas e métodos na área da Saúde e em particular na da Saúde Coletiva. Constituíram-se, no entanto, como ideologias, isto é, seus métodos encerravam as pesquisas que a eles aderiam em uma visão de mundo pré-concebida teoricamente. A filosofia tem sido, na área da Saúde, uma forma de definir correntes, caminhos em que, uma vez dentro deles, o pesquisador estará optando por um sistema, ainda que relativo, a partir do qual pensar suas questões, separando desde o início teoria e prática, inteligível e sensível. Uma vez dentro destes caminhos, a filosofia é esquecida enquanto fonte contínua de questionamento, desconstrução e reconstrução. Queremos propor, ao contrário, um método propriamente filosófico, de um uso constante intrinsecamente investigativo e questionador.

Ler texto completo.

Martins, A. “Filosofia & Saúde: métodos genealógico e filosófico-conceitual”, Cadernos de Saúde Pública, Ensp/Fiocruz, v. 20, 2004, p.109-118

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